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ERAS ASTROLÓGICAS - palestra com Cleide Guedes, na Livraria da Vila (Casa do Saber)
25/08/2010 · Ofício das Palavras
palestra na CASA DO SABER - sábado 21/08/2010
20/08/2010 · Ofício das Palavras
notícias da FLIP 2010
10/08/2010 · May Parreira
A caminho de Paraty, a melhor notícia que tive, ainda no carro, ainda em São Paulo, é que fui uma das 30 escolhidas (região sudeste) pela BOLSA FUNARTE DE CRIAÇÃO LITERÁRIA - 2010.
agora é pegar cada texto e ler, reler, lavar, coarar, bater, guardar, ler de novo, e mais...
tenho seis meses para entregar o projeto: PALAVRAS QUE ME SONHARAM - memórias e fantasias.
tenham paciência comigo.
beijo meu caloroso.
Preparação para a FLIP
30/07/2010 · Ofício das Palavras
No Portal IG, tem reportagem sobre como fazer a mala para a FLIP. É para curtir e se divertir.
http://moda.ig.com.br/dicasdemoda/como+fazer+a+mala+para+ir+a+festa+literaria+de+paraty/n1237728330436.html
Crônica de AFFONSO ROMANO DE SANT´ANNA -
21/07/2010 · May Parreira
Num sempre agradável papo com Affonso, falamos das coisas da vida, de histórias que se repetem, pelas quais todos nós passamos um dia. Eu citei Melanie Klein, e ele disse, Tenho uma crônica sobre isso! Cá está, para nosso deleite:
A INVEJA
Motivos os mais variados têm me levado a examinar mais de perto o fenômeno da inveja. Um amigo, por exemplo, me conta que trouxe do interior um colega de infância, abriu-lhe a casa e a família, arranjou-lhe lugar na própria firma, e tudo ia bem, quando daí a anos notou que o outro estava fraudando a empresa e tentando arruiná-lo. Chamou-o para uma conversa e o amigo fez-lhe revelação dolorosa: sentia-se "sufocado" pela generosidade do outro, tentou ser como ele, "imitá-lo". Não o conseguindo, disse, "resolvi te destruir".
É patético. Lembra aquela estorinha bem antiga do homem que achou uma serpente na neve, ficou penalizado, abrigou-a no peito, e, quando a serpente se reanimou, picou seu benfeitor. Lembro-me de uma estória policial num bairro da minha infância: uma velhinha foi assassinada por dois homens que ela acolhia há dez anos, cedendo-lhes um quarto no quintal da casa. Na polícia os assassinos não conseguiram explicar seu crime.
Esses assassinos, aquela serpente e o amigo fraudulento não sabem, mas estão explicados num ensaio de Melanie Klein: "Inveja e Gratidão". Nunca havia pensando na relação entre os dois. E ela existe.
Para Melanie Klein a criança tem, em relação ao seio materno, uma sensação de amor, realização e gratificação ou um sentimento de ódio, inveja e destruição. Existe um componente oral e anal sádico na inveja. Para outros como Karl Abraham, o invejoso é o indivíduo com problemas mal resolvidos na fase anal de sua formação. Seja como for, é melhor ir acompanhando a sabedoria popular e por uma cabeça de alho sobre a mesa de trabalho, andar com um ramo de arruda na orelha, porque a inveja e o mau olhado podem matar.
Lembram-se daquela peça e filme "Amadeus"? O texto de Peter Schaffer retrata ficcional e clinicamente a inveja de Salieri, o esforçado professor de música, diante da genialidade criadora de Mozart. A inveja era tanta que (na versão de Schaffer) ele tentou envenenar o compositor. Sua inveja o envenenava tanto que resolveu injetar veneno na vida de seu modelo e ídolo. Dizem que essa teria sido uma das causas da morte de Mozart. O fato é que na peça-filme, já velho, Salieri tenta o suicídio.
À primeira vista, ele teria tentado se matar por remorsos. Não é só isso. Como a inveja é uma construção neurótica, o desaparecimento do objeto da inveja não resolve o problema. O invejoso pode trocar de objeto de inveja ou introjetá-lo de tal modo, como Salieri, que a única maneira de matá-lo definitivamente é matar-se a si mesmo, pensando que assim ficará livre do outro, que na verdade é uma invenção dele.
Carlos Byinton tem uma original interpretação de "Amadeus", na qual estuda a inveja de uma forma mais ampla. Para ele a inveja não é necessariamente ruim. É um sentimento que deve ser vivenciado por todos. Faz parte dos mecanismos de estruturação do ego. Mas há um limite entre a inveja normal e a inveja patológica. Nesta, o invejoso é um animal predador, vive no lado negativo do ser, na "sombra". O invejoso, ao invés de agir positivamente tomando o outro como elemento estruturante do que os junguianos chamam de "self" parte para a destruição.
É complicadíssima a cabeça do invejoso patológico. Dizem os especialistas (confirmando as três estorinhas iniciais) que o invejoso não suporta a generosidade. Agora vejam que problema para o generoso. Como entender que o fazer o bem faz mal - E mais: o invejoso carrega "ansiedade persecutória"- Vive inventando que o estão perseguindo, tentando segurá-lo, boicotá-lo. E uma das suas especialidades é o cochicho, a meia-palavra à sombra. Raramente vem à luz. Não suporta o confronto, só de viés.
Vejam o exemplo das tortuosidades da cabeça do invejoso nas palavras de M. Klein: "Parece que uma sequência da inveja excessiva é uma originária sensação de culpa. Se a culpa prematura é experimentada por um ego ainda incapaz de suportá-la, a culpa é vivida como perseguição, e o objeto que desperta a culpa é tido como perseguidor".
Curiosamente, Melanie Klein dedica alguns parágrafos de seu estudo sobre a inveja ao que chama de "crítica destrutiva". Refere-se especificamente à literatura. Cita Chaucer, que fala do pecado da inveja literária e transcreve os versos de Spencer, nos quais o criticador invejoso surge como o que difama e cospe veneno de sua boca leprosa sobre o que o outro escreve.
Isso me lembra quando Jorge Amado publicou nos anos 50 "Gabriela, cravo e canela". Um Salieri desses escreveu num jornal de São Paulo um artigo que começava assim: "Eu não sou crítico literário, mas em compensação, Jorge Amado também não é romancista". Não é uma maravilha! Aquele que não era nada queria nadificar também o outro.
Melanie Klein se refere à crítica literária que dialoga e ajuda a obra do outro a se desenvolver. Guimarães Rosa também fala disso, o crítico que ajuda o autor a escrever sua obra.
O invejoso fica possesso que o invejado não o inveje. O invejado tem o que ao invejoso falta: a paz, a sanidade mental e a capacidade de produzir criativamente.
Claro que além disto, um dentinho de alho, um raminho de arruda e um talismã também ajudam.
este texto está em:
O HOMEM QUE CONHECEU O AMOR, Rocco, 1988
MELHORES CRÔNICAS DE ARS,(ed. Global)
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