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O LEÃO ENFERMO

Fedro publicou suas fábulas entre os reinados de Tibério e Calígula (14 d.C. – 41 d.C.), tempos de crise e hostilidades sociais. O clima não era nada propício para manifestações artísticas.
Mesmo assim ele ousou contar uma fábula que foi recontada muitas vezes depois.

Era uma vez um Rei Leão.
Existiram, depois dele, outros reis leões simpáticos, gregários e não adeptos da violência. Sabemos que em nenhuma época os leões foram ou serão veganos. Mas esta história se passa na época da Terra Plana, os animais falavam e (alguns) eram cruéis. Muito cruéis.
Pois bem, o Rei Leão ficou doente (ou fingiu-se doente, por comodidade).
Os ministros fizeram circular um edital sobre a doença real, ordenando a cada espécie que mandasse um representante à majestática caverna.
E à entrada da cova, fez-se fila.
Muitos súditos se manifestaram, alegres, afinal alguns veriam o
rei pela primeira vez.
A raposa, representante dos canídeos, recebeu também o convite. Seu dever era ir, e ponto.
Na entrada da caverna, a astuta (ui, que clichê) raposa, observou o entorno. Tem alguma coisa muito estranha por aqui, pensou. Pensou um pouco mais e gritou:
Como estais, Majestade?
Estou melhor, obrigado. Entre, quero ver-te.
Peço mil perdões, mas a Prudência aconselhou-me cautela para lugares nos quais só se veem entradas e nenhum retorno. Lamento muitíssimo, mas minha visita está cancelada.
Salvou-se a raposa, e todos os canídeos. O meu pastor alemão agradece.

Fim.

Fedro faz uma comparação entre a doença do rei e a doença do poder, que devora(va) os habitantes do reino.
Pobre de quem cai nessa armadilha.

May Parreira