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SABE O QUE É EMPATIA?

Hoje, 29 de abril de 20, precisei realinhar as expectativas social, familiar e financeira. Não as minhas expectativas, porque desde o início da pandemia até o presente pandemônio (desculpe-me o clichê), sei o que viria. Mas de quem de certo modo está ligado a mim. Muitas pessoas estavam felizes de sair do isolamento social em onze de maio. Sério? Estamos mais de quinhentos anos atrasados em relação ao mundo europeu, mais de dois mil anos atrasados ao mundo asiático, e alguns meses à pandemia da covid19. É só ter um pouquinho de paciência pra fazer a busca das tabelas de contaminação e mortes pelo mundo. Por que não aprender com a experiência alheia? Porque dá trabalho. Dá trabalho descascar um abacaxi, é mais fácil comer banana. Dá trabalho educar, é mais fácil colocar um smartqualquercoisa nas

mãos da criança. Ter saúde dá um trabalho danado, implica em hábitos, alimentação, exercícios. Além, claro, de grana suficiente pra tudo isso. O que a maior parte da população brasileira não tem, não pode e nem sequer imagina como conseguir.

Nessa parte do outro lado da ilha, na qual vivemos nós do Instagram e Facebook, existem centenas de milhares de pessoas que estão correndo um enorme risco. Risco de ter suas vidas acabadas, pura e simplesmente. Uma maneira natural de acabar com a desigualdade social. Morte aos pobres. E daí? Simples assim. Não dói em mim, saia pra rua. Não dói em mim, abra o comércio. Não dói em mim, sinto muito, mas alguém vai morrer. Isto se chama falta de empatia. E se você concorda com quem fala isso, você também sofre da mesma doença. Falta de empatia. Quem concorda com carreatas, com flexibilização da quarentena, com e daí, está cometendo o mesmo desvio. Porque quem vai morrer antes, não é você no conforto de sua sala bem equipada e compras online. São os pobrezinhos que andam de metrô, de ônibus, lá da periferia. São os profissionais da saúde que lutam para sobreviver, com marcas nos rostos pelas máscaras, e fazem sobreviver alguém desconhecido seu. Não quero ser pessimista, mas a luz do fim do túnel está distante. A nossa crise, de política, de economia, de saúde, está se tornando crônica. E nessas horas, a empatia é o melhor remédio.

@oficio_das_palavras

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