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UMA BÁ PARA A VIDA

Darvíria era o nome de batismo. Dalva o nome artístico. Com o tempo, virou Zaza, Zé, Bá. Hoje, ela faria 95 anos. Era mais velha que mamãe. Chegou antes de eu nascer. Cuidou de mim, depois da June, aconselhou e socorreu todas as tias, criou minhas filhas, meus sobrinhos, e viu três de meus netos nascerem. Foi a melhor amiga de mamãe. Cuidou de papai nos momentos tão difíceis. Era brava, invocada, respondona – abriu a porta do carro no cruzamento da Bandeirantes, durante uma briga comigo, eu desço já. Corajosa e muito inteligente. Nasceu na roça. A Escola rural tinha uma sala, e as turmas eram divididas por fileiras. Ela se sobressaía. O trabalho na lavoura para ajudar Dona Justa, sua mãe, a tirou do futuro como professora, o sonho. Porém foi nossa professora. Minha irmã e eu dormíamos ao som de suas histórias, decoradas e contadas todas as vezes da mesma maneira, com a pontuação exata do livro. A cozinha ficava bem embaixo de nosso quarto. E quando estávamos prontas batíamos, com dos nós dos dedos, no assoalho para avisá-la. E ela chegava, nosso livro falante. Continuar lendo UMA BÁ PARA A VIDA

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